segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A CANÇÃO DO AFRICANO

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,]que tem no colo a embalar..
E à meia voz lá responde]ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez p’ra não o escutar!
Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra quero bem!
....
Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro.

Castro Alves